Nem Triste Nem Nada
dezembro 21, 2009
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O cheiro do café da tarde traz consigo Tempo todo, o mesmo pensamento, Trincando amargo direto na garganta Num tom tácito que anoitece agora meu quintal - A tempestade conta que o teto foi mal feito E uma gota suja já tocou meu copo de café Tudo certo, pois o tormento não é de tarde nem de hoje Nem gustativo nem tátil nem nada prático - Minha desastrada sorte presenteou todos os meus dias Com infinita tranqüilidade, Portanto, o que sou eu se não, Um garoto batucando os móveis da casa, E brincando de literatura? - Uma interrogação ambulante, Até para mim mesmo. Meus limites? Ora, como poderia saber? Nunca fui testado… -Meus Sonhos Seus
dezembro 21, 2009
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Ó mãozinhas pequenas de menina, Me contam lindas histórias perversas, Quando fazem a seu gosto meus caprichos Em terras que costumavam ser minhas Só minhas… Escondem-se atrás da noite escura e Vem vindo quietinhas, Pelos convidativos caminhos de travesseiro De cobertores e lençóis Só encontram abrigo em meus olhos fechados Na beleza falsa de meu próprio céu estrelado… - Pois eu quero sentir agora, Seu toque também gelado, Seu perfume também de sândalo, Mãozinhas pequenas de menina, Também machucando num tapa. - E acordar então, só pra variar Com a dona das mãos deitada, Olhos se abrindo ao meu lado, Contando-me o que sonhou. -
Ó mãozinhas pequenas de menina, Me contam lindas histórias perversas, Quando fazem a seu gosto meus caprichos Em terras que costumavam ser minhas Só minhas… Escondem-se atrás da noite escura e Vem vindo quietinhas, Pelos convidativos caminhos de travesseiro De cobertores e lençóis Só encontram abrigo em meus olhos fechados Na beleza falsa de meu próprio céu estrelado… - Pois eu quero sentir agora, Seu toque também gelado, Seu perfume também de sândalo, Mãozinhas pequenas de menina, Também machucando num tapa. - E acordar então, só pra variar Com a dona das mãos deitada, Olhos se abrindo ao meu lado, Contando-me o que sonhou. -
Rain Dancing
dezembro 15, 2009
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Começo as frases sem saber o que virá Nem mesmo tenho o que dizer. Algo brotaria por aqui? Como num passe de mágica, já tenho quatro frases. Do que vale cada uma delas se eu não sei o que dizer na quinta? Bom, vale tanto quanto qualquer coisa que ainda não nasceu. Mas nascerá e questionará donde veio. - Eu, como o Deus desses humildes versos, Sei que vieram de um ímpeto estranho que quase dói, Uma fome de qualquer coisa que não tenho, Como uma mulher que cala seus berros, De repente, gritando. - Meus versos clamam por chuva numa terra pobre. Para os trabalhadores dormirem profundamente. Para os tristes olharem pela janela a chorar suas carências. Para os supersticiosos crerem que estão sem sorte. - E os apaixonados se abraçarem um pouco mais forte… - Eles clamam à chuva que venha ser vista. Para nos lembrar que estamos vivendo, E que já estamos em Dezembro… -
Começo as frases sem saber o que virá Nem mesmo tenho o que dizer. Algo brotaria por aqui? Como num passe de mágica, já tenho quatro frases. Do que vale cada uma delas se eu não sei o que dizer na quinta? Bom, vale tanto quanto qualquer coisa que ainda não nasceu. Mas nascerá e questionará donde veio. - Eu, como o Deus desses humildes versos, Sei que vieram de um ímpeto estranho que quase dói, Uma fome de qualquer coisa que não tenho, Como uma mulher que cala seus berros, De repente, gritando. - Meus versos clamam por chuva numa terra pobre. Para os trabalhadores dormirem profundamente. Para os tristes olharem pela janela a chorar suas carências. Para os supersticiosos crerem que estão sem sorte. - E os apaixonados se abraçarem um pouco mais forte… - Eles clamam à chuva que venha ser vista. Para nos lembrar que estamos vivendo, E que já estamos em Dezembro… -
Só Dela
novembro 25, 2009
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Como alguém, no gozo de seus mais singelos dissabores ou na fala mais dura da miséria humana, em prosa pode ser mais doce que a doce fruta e tão lírica quanto o pairar de uma pétala de rosa? – Cada palavra dela, soa alto soa baixo… só o nome, Rafaella é a melodia de um piano velho tocada por um novo pianista louco que quando se põe a improvisar, espontâneo meu estômago gela e do resto, vou lhe dizer, me lembro muito pouco… - Eu mergulhei de vez nas águas de um rio, que nasce muito longe daqui, e por mais que repitam riscos e mais riscos, eu insisto em não evitar o prazer, que não para de me dizer sim, eu estou vivo e consigo ver a poesia dessa vida, Assim como ela, A minha indiazinha Rafaella… -
Como alguém, no gozo de seus mais singelos dissabores ou na fala mais dura da miséria humana, em prosa pode ser mais doce que a doce fruta e tão lírica quanto o pairar de uma pétala de rosa? – Cada palavra dela, soa alto soa baixo… só o nome, Rafaella é a melodia de um piano velho tocada por um novo pianista louco que quando se põe a improvisar, espontâneo meu estômago gela e do resto, vou lhe dizer, me lembro muito pouco… - Eu mergulhei de vez nas águas de um rio, que nasce muito longe daqui, e por mais que repitam riscos e mais riscos, eu insisto em não evitar o prazer, que não para de me dizer sim, eu estou vivo e consigo ver a poesia dessa vida, Assim como ela, A minha indiazinha Rafaella… -
Vale do Jequitinhonha
novembro 6, 2009

Vale do Jequitinhonha - Lá de cima, vêm risos potentes, Ecoando as vozes do “palácio”, E nesta velha varanda de pedra, Não por acaso, do jeito mais fácil, Emudecemos, eu e Maria. - Moldamos as nossas conquistas, Tornamo-las visíveis em mente, Elas nunca serão, porém, palpáveis, Como nota quem vê a casinha da gente. - Vivemos rodando o nosso vale. Do nosso mundo, a gente sabe. Os donos destas vozes foram à França Eu me pergunto do que isso vale, Se eles nunca participaram, Nem do forrozão aqui na vizinhança. - Duvido que lá na França, Eles tenham destas morenas, Que naturalmente viram noite na dança. E alegram os homens, Como se fossem crianças. - Conhecemos bem o nosso mundo, Pouco nosso planeta, Menos ainda o universo, Mas depois de tantos sábados, Conversando com quem converso, Recuso-me a fechar a boca ao som do riso, Das madames que se embriagam naquele casarão. Convido então, Dona Maria, e todo o seu talento, A sentar-se comigo e o violão, Para cantarmos Milton Nascimento. -
Besta Floresta
outubro 26, 2009

Besta Floresta
_A curuja cuja vida anda sufrida, Judia do curujo bobo de amores por ela. Curujo doido do pé sujo disse, Que sua vagabundice nunca foi causa das suas mazelas, Mas muito pelo contrário! Curujo passa o tempo a contemplar as gotas de orvalho, Buscando as mais belas palavras da floresta, ao relento, Para bem dizer de sua curujinha querida, E espantar de sua vida, Tudo o que há de sufrimento. _
Das Tantas Cores
outubro 13, 2009
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Das Tantas Cores - Das palavras que se puseram aqui antes, na madrugada, Pedro insone, nem mais me lembro, se não que eram contentes. O amor tem dessas coisas. Acontece, anoitece, amanhece, se transforma, e eu nunca sei bem do sentimento, pedra outrora, água agora e que feito fogo no final das contas, se apaga com o vento vindo lá de fora. Só sei que tudo envolta, muito sem vida seria, quase morto, se o caminho natural do amor, não fosse todo tão torto. - Reveza o vermelho e o azul, entre os dois, há linha, nem sei que cor tem entre o frio no estômago e o quente no pescoço, quase nada existe. Vejo o meu rosto sorrindo por tempo, e os meus olhos tristes, mas contentes, por no espelho se identificarem assim, meus próprios olhos tristes, na minha própria vida repleta de ternura, sentimento, amor, saudade,
trilhando todas as direções que tenho direito… - Não há uma só máscara que me caiba. Por isso flui na face, meu desengano, na minha bagunça a lira desatina. E só me resta assim, tomar um café, comer um pão com margarina, e esperar um doce seu… -
Desvanecer Além de Tordesilhas
outubro 1, 2009
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Imagens Poéticas Para Rafaella
setembro 30, 2009

Confesso, às vezes, a ver como uma fada Deixando ao léu, luz espalhada pela vida Que em alguma época passada me foi arrancada Mas de repente ressurgiu em uma chama colorida - São desenhos, versos, músicas só pra ver seu riso Engraçado me sentir como nunca, um bicho Araraúna azul que trata sua fêmea com capricho Por ter achado em outra pena azul, terreno paraíso - Menino mineiro sabe esperar a força do vento Se ainda sente a imprecisa brisa da manhã. Sonhador sim, mas não como quem sustenta cego contentamento Pois todos sabem que não vou morrer antes de provar sua hortelã! - Assim se vai a poesia beber as águas da sua fonte, Que é donde emana o que tenho sonhado e meus olhos no horizonte. -
Domingo, Impressões e Ela
setembro 28, 2009

Queria me inserir profundamente no extraordinário Me calando assim em sua magia, Queria me perder entre as palavras, como alguém que ri A ponto de sentir falta do ar, E queria morrer afogado no cheiro das rosas… Vontades que se escondiam, tímidas No campo esotérico, desencontradas do dia-a-dia Que tão previsível fora outrora, Nada além de cartas espalhadas, violões sem corda E cocôs de cachorro embaixo das escadas. Sim, me acomodaria a uma vida calma a colher goiabas maduras, Sorrindo ao sentir o doce achado Em um pé que não cansa de render. Mas parece que a existência não pode ser assim A vida quer minha respiração trêmula e olhos úmidos Quer o tempo virando ao avesso, Sonhos de criança, receios do futuro, poesia. Tudo se tornou intenso com o olhar de indiazinha! E ao ouvir sua voz, Poesia lírica do vento. Eu emudeço, extraordinariamente, Perco-me, sem fôlego, E morro encantado em meio ao perfume, Deitado nas pétalas vermelhas de rosa… -




