Vale do Jequitinhonha
Novembro 6, 2009

Vale do Jequitinhonha - Lá de cima, vêm risos potentes, Ecoando as vozes do “palácio”, E nesta velha varanda de pedra, Não por acaso, do jeito mais fácil, Emudecemos, eu e Maria. - Moldamos as nossas conquistas, Tornamo-las visíveis em mente, Elas nunca serão, porém, palpáveis, Como nota quem vê a casinha da gente. - Vivemos rodando o nosso vale. Do nosso mundo, a gente sabe. Os donos destas vozes foram à França Eu me pergunto do que isso vale, Se eles nunca participaram, Nem do forrozão aqui na vizinhança. - Duvido que lá na França, Eles tenham destas morenas, Que naturalmente viram noite na dança. E alegram os homens, Como se fossem crianças. - Conhecemos bem o nosso mundo, Pouco nosso planeta, Menos ainda o universo, Mas depois de tantos sábados, Conversando com quem converso, Recuso-me a fechar a boca ao som do riso, Das madames que se embriagam naquele casarão. Convido então, Dona Maria, e todo o seu talento, A sentar-se comigo e o violão, Para cantarmos Milton Nascimento. -
Besta Floresta
Outubro 26, 2009

Besta Floresta
_A curuja cuja vida anda sufrida, Judia do curujo bobo de amores por ela. Curujo doido do pé sujo disse, Que sua vagabundice nunca foi causa das suas mazelas, Mas muito pelo contrário! Curujo passa o tempo a contemplar as gotas de orvalho, Buscando as mais belas palavras da floresta, ao relento, Para bem dizer de sua curujinha querida, E espantar de sua vida, Tudo o que há de sufrimento. _
Das Tantas Cores
Outubro 13, 2009
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Das Tantas Cores - Das palavras que se puseram aqui antes, na madrugada, Pedro insone, nem mais me lembro, se não que eram contentes. O amor tem dessas coisas. Acontece, anoitece, amanhece, se transforma, e eu nunca sei bem do sentimento, pedra outrora, água agora e que feito fogo no final das contas, se apaga com o vento vindo lá de fora. Só sei que tudo envolta, muito sem vida seria, quase morto, se o caminho natural do amor, não fosse todo tão torto. - Reveza o vermelho e o azul, entre os dois, há linha, nem sei que cor tem entre o frio no estômago e o quente no pescoço, quase nada existe. Vejo o meu rosto sorrindo por tempo, e os meus olhos tristes, mas contentes, por no espelho se identificarem assim, meus próprios olhos tristes, na minha própria vida repleta de ternura, sentimento, amor, saudade,
trilhando todas as direções que tenho direito… - Não há uma só máscara que me caiba. Por isso flui na face, meu desengano, na minha bagunça a lira desatina. E só me resta assim, tomar um café, comer um pão com margarina, e esperar um doce seu… -
Desvanecer Além de Tordesilhas
Outubro 1, 2009
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Imagens Poéticas Para Rafaella
Setembro 30, 2009

Confesso, às vezes, a ver como uma fada Deixando ao léu, luz espalhada pela vida Que em alguma época passada me foi arrancada Mas de repente ressurgiu em uma chama colorida - São desenhos, versos, músicas só pra ver seu riso Engraçado me sentir como nunca, um bicho Araraúna azul que trata sua fêmea com capricho Por ter achado em outra pena azul, terreno paraíso - Menino mineiro sabe esperar a força do vento Se ainda sente a imprecisa brisa da manhã. Sonhador sim, mas não como quem sustenta cego contentamento Pois todos sabem que não vou morrer antes de provar sua hortelã! - Assim se vai a poesia beber as águas da sua fonte, Que é donde emana o que tenho sonhado e meus olhos no horizonte. -
Domingo, Impressões e Ela
Setembro 28, 2009

Queria me inserir profundamente no extraordinário Me calando assim em sua magia, Queria me perder entre as palavras, como alguém que ri A ponto de sentir falta do ar, E queria morrer afogado no cheiro das rosas… Vontades que se escondiam, tímidas No campo esotérico, desencontradas do dia-a-dia Que tão previsível fora outrora, Nada além de cartas espalhadas, violões sem corda E cocôs de cachorro embaixo das escadas. Sim, me acomodaria a uma vida calma a colher goiabas maduras, Sorrindo ao sentir o doce achado Em um pé que não cansa de render. Mas parece que a existência não pode ser assim A vida quer minha respiração trêmula e olhos úmidos Quer o tempo virando ao avesso, Sonhos de criança, receios do futuro, poesia. Tudo se tornou intenso com o olhar de indiazinha! E ao ouvir sua voz, Poesia lírica do vento. Eu emudeço, extraordinariamente, Perco-me, sem fôlego, E morro encantado em meio ao perfume, Deitado nas pétalas vermelhas de rosa… -
Cobre Velho
Setembro 25, 2009

Cobre Velho
É com raro desapego que observo Com o rabo dos olhos (coisa que eles não têm) Os meus velhos versos tristes, Banhados ao cobre das rimas pobres, Alheios ao brilho dos olhos humanos. Mas o que fazer? Chutar areia sobre minhas pegadas? Não serviria de nada! Eu não posso chutar areia nas minhas memórias, Além do mais, algum menino cabeludo, colecionador de desafetos, Perdido nessas praias que tão bem conheço, Poderá seguir minhas pegadas inglórias, E se sentir melhor consigo mesmo. -Casal
Setembro 23, 2009

Agora em alta,
Inteiros, pois então.
Acompanha meus passos,
Viverá em vão, ó meu amor?
Sou eu mesmo quem sempre a assalta!
Agora saciado.
Porque iria eu me dar ao trabalho de escrever?
Todo momento com você é perfeito.
E vão.
De boca fechada ao seu lado.
Nem nos lembramos que um dia,
Sentimos o doce sabor azedo da paixão.
Por um breve momento,
O som das nossas vontades,
Era tudo que se ouvia,
E rapidamente, sem dor,
Devorei seu coração, ó meu amor.
E foi neste dia,
Que infelizmente coloquei um fim,
Em toda a minha poesia…
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Ô Indiazinha
Setembro 18, 2009

Ô indiazinha - Eu me rendo ao vento desta noite E amaldiçôo as estradas, o tempo, Os traços que alimentam quem precisa ser Apenas dois braços dados. Prometo que as minhas palavras carentes, De sede, clementes por suas águas, E seus cristais Não serão como os fantasmas Que fazem sem querer, O pesadelo de suas próprias mulheres amadas…
É que hoje, todo sentimento do mundo, Fez de indiazinha, Sua morada, E só de pensar em meus dedos, Tão distantes de seu rosto em pranto, Eu já me rendo a esta noite! A flor de sua pele, O doce de seu canto… É meu bem, hoje eu durmo triste. Pois como um passarinho que aprendeu a voar Conheci em você o mais profundo encanto. E tudo, se não sua voz, É silêncio. -
Sem Querer
Setembro 18, 2009

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Sem Querer -Talvez por vaidade. Vou colhendo o que posso Do que há de metafísica nesta cidade (Do seu concreto?) Ou seria dos meus olhos? (Das minhas córneas?) Da minh’alma? (Alma?) Tenho fé por crer ter fé? -
Explicações cientificas não me são bem vindas Quando busco no fundo d’alma O verdadeiro calor Que não tão verdadeiro é Por ter respirado antes de qualquer verdade -
Mas as palavras me custam tanto Quando o frio corta E o medo antecede o pranto Por lá no fundo d’alma Não encontrar mais que novos infinitos mistérios… Argh! Eu me rendo Já basta. Silencie esse meu velho canto -
E que vibrem as simples violas sertanejas Nas rodas em bares de Sete Lagoas! Não mais questionarei! Deixarei que as merdas de pássaros caiam Onde os pássaros quiserem suas bostas! E que borrem todas minhas interrogações E suas possíveis respostas. -
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Os pássaros não devem ser tão mais que eu Da mesma maneira que voam aos céus Seu vôo, despretensioso… Desejo eu participar da poesia A palavra escrita, despretensiosa… -
Despretensiosa? Mas isso nunca fora! -
Oh maldita condição dos anjos caídos Oh constante quereres! -
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Interioridade? O que dizer de um poeta interior Que só assim é, até o vermos a forma? Se uma impressão surge Não tenho tempo de fazê-la grafite Antes de questiona-la profunda e completa… Mente. Oh mente, tu não vales os livros que lê! Talvez valha o álcool! Tão pouca… Mente. Embaralhada? Não seja besta! Só se forem cartas marcadas! Infames versos de gente. Infâmia. -
Infância… Trago-a comigo com cheirinho de alecrim Naquelas antigas manhãs de domingo Minha avó regava as flores no jardim Enquanto eu ficava ali, sentado ao sol Brincava em silêncio com os tatus-bolinha Sem mesmo muita euforia Sem encarar tal gesto como pesquisa Sentindo sono, naturalmente, por ter acordado cedinho Sem dizer palavra, assim como um bichinho Fazia parte daquela fotografia Agindo apenas como a natureza pedia E como os pássaros Fazendo à cidade, aos meus olhos, à minh’alma Poesia -
Infância… Puramente desprendida de seres e quereres De vir a ser e já sera feito Desprendido de qualquer metafísica
E sem nenhuma pretensão de algum dia Se tornar o que tornou: Esta minha maldita palavra escrita.
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