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Para Conquistar Sofia
Encontra meu carinho nas paredes da casa
Não sei se é de propósito
mas ela faz óbvia sua auto-suficiência
E eu a detesto.
Não sei como consegue olhar
Dessa maneira as estrelas paradas
Alcança o firmamento escuro da noite
E pisa contente sem saber
Que eu a admiro profundamente.
Ela é tão linda que me confunde
É tão branca que parece congelada
Com seus pés descalços na minha vida monótona
Ela não precisa de ninguém.
Me observa com uma curiosidade fria
E demonstra cuidado cirúrgico
Na sua ciência
Que me estuda as emoções frágeis
Tão bobo e pesado nesse chão convencional!
Ela chega perto quando chego em casa
De um jeito que me faz pensar ser necessário
E fazer parte do seu mundo tão melhor
Assim, eu a abraço
me agasalho no seu calor egoísta
A sorrir entre espirros.
É um demônio tão doce
E eu a alimento por fazer questão
Do seu jeito de andar traiçoeiramente
feminino
e felino.
Oh, minha gata vira-lata
Minha linda que acharia graça
Ao saber que a considero minha.
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Espetáculo Ao Avesso
Seus olhos verdes petrificados eram duas esmeraldas
Que sordidamente roubei quando fazia meu teatro
Olhos grandes afogados, como estivesse encantada
eu assim a deixei por um segundo.
Não me entenda mal,
Frente a beleza real, o absurdo do sublime
que transforma os cinzas naquelas cores oníricas
que eu nem sei o nome,
frente àquele par de esmeraldas
eu fico confuso e não mais diferencio
o público dos personagens,
os lados do espetáculo
nem mesmo o certo do errado.
e a deixo tremendo por mais dois segundos
Seu olhar é dramático,
Seu rosto é sutil e delicado, mas seus olhos vibram
Vibram rápido demais, e eu vou guardando na memória
A perfeição daquela cena ao contrário
No teatro.
Mas ela é tão dramática!
Ela bem sabe que isto não é sangue
É só tinta vermelha…
Mas chora, chora sua vida toda
Como se colocasse para fora
Toda a poesia dispensada nestes dias comuns
Quando a primeira lágrima escorre pelo seu rosto
Eu alcanço o pico mais alto do meu mundo
E me rendo à beleza da vida real
Seu choro é a poesia feita da minha tinta vermelha
Que troquei pelos seus olhos verdes, em pranto
E vaidosamente
Pelos seus aplausos no final.
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Arcimboldo
A maçã que colho da árvore não deixa de ser dela,
E isso também não faz com que seja mais minha
Do que sempre fora.
Pois não sou mais que poucas dezenas de quilos de terra
Que não deixa de pertencer a heróis mortos
A monarcas, plebeus, filósofos e carrascos
Comidos por vermes, amados por qualquer coisa.
São causas dentro de causas.
Causas espalhando causas por aí.
Há tanta eletricidade nisso,
E nada se perde!
Como falar em desperdício,
Quando sei que a selva é tão linda
E tão minha quanto essa consciência animal?
E que a selva não precisa ter tantos nomes,
tantos detalhes, tanto orgulho.
Selva, país, Terra, Espaço
Gente, sangue de gente,
Consciente, inconsciente
Meu, seu, nosso.
Vida e felicidade.
Felicidade?
Fico feliz pela minha tristeza habitual
Fico feliz por conhecer e sonhar a felicidade
Pois talvez seja este o berço
daquela eletricidade dos bichos
Que provoca a reflexão infinita das coisas
Como um espelho na frente do outro
E o movimento das causas.
A felicidade não está na Terra,
A felicidade está nos bichos,
A felicidade não está no passado
A felicidade está por aí, dançando no vento
junto ao tempo e espaço,
junto aos passos de nossos sapatos
E quando deixar esta minha, estranhamente minha
consciência animal,
morrendo ou coisa assim,
Ser então,
maçã, montanha, gente morta,
Inspiração e felicidade como um presente
Que deixarei àqueles capazes de sentir.
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