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Por Onde Anda o Meu Cachorro de Plástico?
Foi ainda quando criança que percebi
Que em si, nada possui valor algum.
Se algo tem valor,
Apenas o tem por causa de terceiros
Que conferem importância às coisas
ou pessoas.
E numa cadeia que às vezes se faz bonita
Os valorizados valorizam outros valorizados.
É engraçado como sua mão direita,
Encaixa-se perfeita na mão esquerda de um outro.
O desvalorizado por sua vez
É obrigado a ser seu próprio valorizador
Mas nossa mão direita não é muito boa
Para apertar nossa própria mão esquerda, é estranho…
Foi ainda quando criança que percebi
Também
Que a valoração pode ser um ato volitivo
Foi quando mergulhei em uma cachoeira
E lá do fundo, busquei meu diamante.
Chame meu diamante de cascalho, eu não me importo
Isso não faz dele menos diamante
E eu andava com ele para todos os lados,
Os adultos riam, mas outras crianças reconheciam
E invejavam a pedra que eu mesmo busquei debaixo d’água
Minha segunda preciosidade
Que passou a existir devido a um ato de vontade
Foi um cachorro de brinquedo,
Menor que meu dedo, ele veio dentro de um ovo de páscoa
Digo que é um ato volitivo porque eu decidi fazer dele
Um amigo precioso,
Não foi devido a um encanto, nem poderia ter sido
Era um cachorrinho de plástico sem graça
E foi por entender seu desvalor que o escolhi
E comprovei minha tese:
Tudo que existe pode ser precioso
Se assim eu desejar
Mas quando nós crescemos ficamos burros
E buscamos tesouros escondidos
Escondidos por piratas que nem conhecemos
Sem percebermos que o que está guardado no baú
É tão precioso quanto o barco, o mapa, a areia
E os diamantes brutos que se escondem
Dentro de qualquer cascalho.
