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Cicuta
Eu te peço
que destranque logo essas suas costelas
abra agora as portas de sua caixa torácica
liberta a metafísica escondida
dentre esse amontoado de vísceras
Pois seus sorrisos te doem o rosto
e estragam meus retratos
me deixa fotografar agora seu espirro
que com certeza, é muito mais vivo
por ser para você, confuso e desconcertante
Acredito de verdade que para ideias existirem
requer força bruta, trabalho braçal
e para a existência da poesia,
apenas descanso, necessita o puro desleixo
Mas para segurar a poesia sim,
deve haver a mais bruta força bruta
para conseguir mantê-la ali
sufocada na sua carne
e por isso você já é tão forte
quanto um elefante de prata
Por isso eu te peço
cospe logo essa bola de sangue
para seus cães famintos
por coração
e todas essas metafísicas bobas
encherem seus pratos
em um belo banquete vermelho
pois só dessa forma
nós conseguimos dilacerar os nossos bicos
e aí voltaremos a fotografar seus sorrisos leves
de vida e luz
2 Comentários até o momento
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Ta igual as letras do Caê, difíceis mas bonitas =)
Comentário por Lucas Botelho setembro 2, 2011 @ 12:11 amcê tá de parabéns, pedro.
Comentário por OtavioC novembro 23, 2011 @ 5:35 pm