Grilos e Margaridas

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Se minha calda peluda bater na porta,
eu a deixo esperando do lado de fora,
até ela desistir, sem graça por ter vindo,
porque, como recém-ateísta de todas as coisas,
eu acho lindo criar um mundo verde, onde o que não é verde não passa.

Ontem num sonho verde, decidi pintar toda minha casa,
das paredes às molduras;
esquecer minhas quinas preferidas,
e pintar dos porta-retratos à fechadura das portas.

Quero a calma dos bichos,
e não mais pensar tanto na beleza das almas já mortas,
porque o mundo de infinitas almas mortas pode estar nas palmas
de nossas mãos, ou livre a flutuar, de ocidente a oriente.

Então, nas minhas janelas escancaradas,
eu vejo aquelas margaridas encantadas,
que aprendem aos poucos a língua dos grilos,
e conversam tranquilos a única certeza do presente.

Pato Grande e Suas Histórias Maravilhosas

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Ele é um pato da fazenda, seu nome é Emerson. Vive sua vidinha pacata no campo, apenas trabalhando, dançando nos finais de semana e aguardando a hora da morte. E sabe que ela está prestes a chegar. O fazendeiro gosta de servir pato assado em todas as datas comemorativas. E como é sabido de todos, o 3 de fevereiro está chegando, a data mais importante do ano. O dia do Folk.

Aquele fazendeiro vai querer assar o pato mais pesado da fazenda. Emerson é notoriamente o maior de todos. Deve ter mais ou menos uns 4 metros de altura.

Normalmente, na Festa do Folk, toda a família do fazendeiro vai pra fazenda comemorar, e cara, é uma baita família. Costumam aparecer mais de 300 pessoas na festa. É sempre uma grande comemoração, com fogos, vinho, strip tease, muita música e comida.

No ano passado, o fazendeiro teve de assar dois patos de 2 metros para a festa. Nessa época Emerson não tinha mais que 1 metro de altura e ainda estava muito novo. Nesse último ano ele cresceu bastante. O fazendeiro feliz está sempre dizendo que a Festa do Folk esse ano será especial, enquanto dá palminhas no peito de Emerson e sorri.

O pato pensa “Meu deus, não posso morrer agora, tem tanta coisa que ainda não comprei, tantas patas que ainda não comi, tantos inimigos que ainda não matei… O que eu devo fazer? Fugir? Beleza, vou fugir.”

Emerson espera anoitecer. Quando todas as luzes se apagam e toda a iluminação existente deve-se à lua, começa a andar em direção à estrada. Sabe que não tem condições de andar até a cidade, é longe. Por isso, depois de caminhar por alguns minutos, senta-se e espera passar algum carro para dar sinal e pegar uma carona.

De longe, avista um Fiat Adventure. O carro se aproxima e Emerson sinaliza.

Aparentemente, é uma família de quatro pessoas que param o carro e convidam Emerson para entrar. Assim, ele espreme-se um pouco e consegue se encaixar no banco traseiro.

O pai, pergunta:

– Então senhor pato, como você se chama?

– Me chamo Emerson senhor.

– Emerson? Eu gosto, era o nome da minha mãe.

Emerson sorri simpático.

Um garotinho diz:

– Você é o pato mais gordo que eu já vi na minha vida!

– Pois é, eu como bem.

A mãe da família diz:

– João, que falta de educação!

– Não tem problema senhora, eu sei que sou grande. Exatamente por isso estou saindo de casa. O fazendeiro pretendia me comer nesse Dia do Folk.

– Isso é um absurdo, comer um pato tão inteligente! Eu acho assim, a gente deveria comer só carne de seres burros.

Todos concordam com a opinião da sábia senhora. Eles conversam por alguns minutos, se conhecem adequadamente e a mãe pergunta:

– Emerson, já que não tem para onde ir, por que não fica na nossa casa até se arranjar na cidade? Tudo que precisará fazer é ajudar na arrumação da casa. E também pode comemorar o Dia do Folk com a gente.

– Eu gostaria sim senhora, muitíssimo obrigado.

Chegam em casa. A mãe do João apresenta o quarto de hóspedes para Emerson que se acomoda confortável.

Passaram-se três dias tranqüilos na casa do João e finalmente, chega o tão esperado Dia do Folk.

Aquela família esteve organizando uma grande festa. Não tão grande quanto a festa da velha fazenda de Emerson, mas provavelmente será um dia muito especial, com muita cerveja e música Folk. Só não se sabe ainda o que terá para comer. A mãe falou que será uma grande surpresa.

A festa começa e está tudo bem. Emerson socializa com o pessoal que ainda não conhece, conta velhas histórias da fazenda…

E de repente chega o tão aguardado almoço.

Cinco pessoas aparecem em fila, carregando juntos grandes quantidades de comida. O primeiro leva uma panela enorme de arroz. O segundo uma panela enorme de tutu. O terceiro, uma travessa com grande variedade de salada.

E o quarto e quinto carregam juntos uma enorme bandeja, com alguma coisa em cima que ainda está embrulhada em papel alumínio.

Os homens colocam a bandeja sobre a mesa. Todos se reúnem em volta do banquete ansiosos. Todos menos o garoto…

A suposta mãe retira o papel alumínio. E diz:

– Hoje teremos João assado com farofa!

Todos ficam com água na boca quando vêem o menino deitadinho, amarelinho e crocante, rodeado de farofa. Surpreendentemente, ninguém questiona o fato de estarem prestes a comer o filho dos donos da casa.

Depois de uma hora e meia, resta apenas a carcaça do João na bandeja.

A festa acaba e é um tremendo sucesso. Todos vão embora empanturrados e felizes.

Agora que a festa acabou, Emerson acha adequado fazer a pergunta para a mãe do falecido Joãozinho.

– Senhora, não me entenda mal, mas acho que não fora certo comermos o seu filho. A senhora achou injusto o fato de meus antigos donos planejarem um banquete comigo, como pôde servir seu filho?

– Eu falei que achava injusto porque você é um pato inteligente. Joãozinho nunca tirou boas notas e está sempre falando besteiras. Ao contrário de você, nem quis fugir quando soube que iríamos comê-lo, ficou apenas chorando e dizendo: ”Por favor mamãe, não! Eu vou me esforçar mais na escola. Me desculpa! Não me leve para o matadouro! Blá blá blá…”. Era muito burro. Como filho, fora um ótimo almoço.

– Entendi. Colocando dessa maneira…

Espetáculo ao Avesso

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Espetáculo ao Avesso

            Estávamos no terceiro ato quando me fixei naqueles dois olhos verdes petrificados brilhando como duas esmeraldas. Eu, como herói trágico de uma tragédia grega, deveria estar completamente concentrado na minha arte cênica. Mas não consegui. Quase me sentei em cima do palco no teatro à observá-la.

            Eu bem sei que a peça de teatro é um organismo vivo do qual eu faço parte, e se eu parar de funcionar, todos morremos. Mas não valeria a pena morrer desta vez? Essa peça já é interpretada há seis anos… De fato, todos os meus colegas se emocionam ao final. Choram o esforço recompensado em intermináveis aplausos, choram as brigas esquecidas com abraços, choram seus ombros aliviados e, principalmente, rechoram a força que tem esta tragédia grega em si. Eu não sentia nada há muito tempo. Mas esta mulher sentada na segunda fileira à esquerda…

            Não me entenda mal! Frente à beleza do mundo real, que se põe à minha frente como um sublime absurdo, que transforma os cinzas da minha vida em cores oníricas que nem sei o nome, frente àquele par de esmeraldas, eu fico confuso e não mais diferencio o público dos personagens, os lados do espetáculo, nem mesmo o certo do errado… Assim, resolvi não ser apenas o irresponsável que se distrai da peça, mas pior, resolvi ser o sórdido gatuno e roubei para mim aqueles dois grandes olhos afogados que me encaravam, encantada da segunda fileira. Fui mais dramático do que nunca, dei a ela, e apenas a ela, a minha melhor atuação neste terceiro ato, e a deixei tremendo por alguns segundos.

            Para minha surpresa, aquela garota em sua posição de plateia era mais dramática do que eu, um brilhante ator, atuando de forma mais brilhante que nunca, uma tragédia grega! Seu rosto de menina era leve, sutil e delicado, suas mãozinhas agarravam-se firmes, congeladas no seu vestido. Suas leves roupas comuns me pareciam infinitamente mais belas do que as da atriz com quem eu contracenava. Além do mais, esta minha parceira não fazia, como eu, uma performance especial nesta noite de quinta-feira. Será que não reparou na segunda fileira à esquerda? Será que não percebeu que os gestos daquele público eram mais poderosos do que todo o esforço do nosso trabalho? Será que ela não percebeu que o olhar daquela moça das mãos serradas vibravam? Vibravam rápido demais, e eu guardava na memória a perfeição daquela cena ao contrário, no teatro, sem saber de que lado estavam os artistas.

            Mas como podia ela sentir nossos dizeres e nossos gestos assim, tão profundamente? Ela bem sabe que aquilo que escorria não era meu sangue, era só tinta vermelha. Mas chorava. Chorava sua vida inteira, como se colocasse para fora toda a poesia engolida e enclausurada nos dias comuns. Tive vontade de fazer o mesmo, mas não podia porque queria mantê-la dentro deste universo por mais alguns minutos.

            Ao final do quarto ato, eu pude a ver engasgando com suas próprias sensações, abrindo a boca, buscando um ar que encontrou com um pouco de esforço, e chorando uma lágrima que eu identifiquei como a sua última. Neste ponto eu alcancei o pico mais alto do meu mundo e me rendi à beleza do real. Seu choro era a poesia feita da minha tinta vermelha que troquei pelos seus olhos verdes, em pranto. E vaidosamente, pelos seus aplausos no final.

Aquilo que aqui não existe, nem precisa de nome

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Aquilo que aqui não existe, nem precisa de nome

Queria poder olhar no espelho
e encontrar o reflexo do meu rosto queimado
esfumaçado, ardendo, preto e vermelho por fora
assim como arde há tempos
por dentro
por dentro tudo se torra e vira cinza
por fora, tudo intacto.
Meu espelho reflete um jovem triste à toa
“Por que sofre? Não há motivos…”
Não há motivos… Não há menor motivo para chorar
Não há! Não há mesmo,
razão no mundo real, pois este é harmônico
e eu tenho sorte.

A minha dor é irreal, o meu câncer é em um órgão
que os seres humanos não possuem
Está tudo queimado em um lugar que não existe
Mas ninguém parece entender
que é justamente aí, neste lugar,
que eu moro…
Não sei se por espontânea vontade
Não sei se há escolha, se posso me mudar
Mas sei que neste lugar sou nascido e criado
e conheço bem suas vantagens e desvantagens
lá eu sei onde tudo está,
e quando não sei, eu tento achar.

Lá já foi mais bonito que qualquer outro lugar que tenha visto,
e na verdade eu admito: não, eu não quero de lá me mudar
mas entenda que houve um incêndio horrível
e meu lar está pegando fogo
e ao tentar resgatar as coisas mais lindas que eu já vi
que lá estavam, aparentemente perpétuas,
brilhando
eu me queimei o rosto e estou preto e vermelho
e ao redor, minhas coisas, meu mundo todo é cinzas
e eu detesto cinza

Eu moro em um mundo que não existe
por isso você não conseguiria ver que eu tenho sim
razões para estar triste

Quebra do Silêncio com Coisa Nenhuma

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Poema Explicativo do Outro Poema

Quando estrangulo as palavras
escrevendo versos que não pediram para nascer
eu posso parecer um assassino sádico
ou um estúpido gigante ciclope que pisa em tudo e não vê
mas acho que sou mais um cachorro
correndo apressado em um espaço fechado
ele sabe que não tem por onde fugir
mas como ficar parado?

O silêncio é fácil e saudável
mas eu não sou.

E o resultado são essas palavras dolorosas de se ler,
sem música, sem estrutura,
sem vida e sem razão de ser.
Mas o dia a dia também não tem nenhuma dessas coisas,
Então:

“Lembra-se de quando eu disse
enquanto pulávamos poças de chuva
que pelo fato de não existir o doce sem o salgado
e por eu estar cometendo o pecado de estar
profundamente feliz, porque apaixonado
eu iria pagar muito
muito caro?

você concordou.

Então eu voltei atrás, virei um otimista
e disse que poderíamos viver levemente
passando a mão, com calma
no espelho d’água,
e que se tempestade viesse
ela iria nos deixar intactos

você discordou

Porque seria impossível para mim
adular leve as águas rasas
eu perturbaria a ordem, enfiaria a mão no fundo
atrás de algo para amar, com o coração
bem fechado como uma mão serrada,
algo que não quer ser amado,
e a tempestade iria sim nos engolir

É tão pessimista…
E tão profética
meu amor.”

Outro poeminha sobre a falta:

Ao escrever poemas
Com as poesias que
Não existem
Eu me afogo mais e mais
Num mar de
Coisa nenhuma
Até chegar ao
Ponto
De tão seco
Não ter nem mais
Uma lágrima para
Deixar escorrer.

Hoje Eu Não Sorri Nenhuma Vez

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Hoje meu corpo se move mais devagar,
e eu não acho que seja mais seu dono,
inclusive enquanto escrevo isso aqui,
os dedos vão indo como se não quisessem ir,
a música que eu escolhi atormenta meus ouvidos com sono,
e eu sinto esse estranho abandono, como um tronco
que a artesã abandonou por não ter mais vontade de esculpir.

Tudo agora parece estar triste e com vontade de chorar
até meus pés estão tristes,
minhas orelhas estão tristes e os meus olhos,
estão visivelmente tristes.

Não acho que tenha visto hoje um só sorriso
talvez tenham sim acontecido,
mas para coisas que brilham, hoje estou desatento
meus olhos tristes enxergam só um mundo rabugento,
e pensando bem,
todos os velhos da pele cinza e olhos sem cor que vi hoje,
devem na verdade ser crianças,
e indo ainda mais além digo que hoje,
eu que sou o velhinho murcho fumando cachimbo
e que na área feliz das minhas lembranças,
este homem não é bem vindo.

Tenho em mente uma seleção minuciosamente escolhida
de memórias tristes,
que não são completamente tristes,
poderiam ser boas, mas nem consigo me imaginar agora,
sorrindo um sorriso à toa, mostrando os dentes
frente ao espelho,
só abro a boca interessado em ver meu siso, que dói,
e que na verdade, é a única coisa que parece não estar dormindo.
Então eu agradeço aos sisos,
por não pararem de nascer, crescer e doer
nessas merdas de domingo.

L’infinita Voglia

L’infinita Voglia

Perchè alle volte, sentiamo che potremmo fare tutto
Ma non lo facciamo?
Perchè siamo giovani e abbiamo l’eternità da vivere
Ovviamente, non abbiamo tutto questo
Mas ci sentiamo così
Ci piacerebbe fare,  di tutti i nostri giorni,
La più profonda eternità.
Ma in realtà, dobbiamo spendere molto tempo
Per costruire momenti, in futuro
Che per alcuni secondi
Smetteranno tutta l’infinita voglia.
E infine, ci sentiremo leggeri,

Pieni e soddisfatti…

Ma vorremmo e vorremmo più
Vorremo troppo e vorremmo adesso
Trai il giorno (questo esisterà?)
In cui non vorremo niente di più

Nonnostante
Si fa importante fermare
respirare
E vivere i giorni noisi
Questa è la condizione per quello che vorremmo

Ma secondo me,
Quei secondi sublimi
Di conquista
Non sarebbero così belli
Se non fossero i giorni quotidiani

Stupidi…
Noiosi..

Cabeça Vazia Caneta Bailarina

Cabeça Vazia Caneta Bailarina

Com a cabeça vazia
Eu assisto essa caneta dançarina
Que se move suave na minha mão direita

É claro que não tenho tempo pra isso,
Mas estou curioso e quero saber
Se ela está escrevendo um poema
Ou se só quer dançar à toa no branco

Como até agora não mostrou imagens poéticas
Creio que ela só queira se movimentar…
Mas só isso já é perfeito,
Por que haveria ela
De me apresentar imagens poéticas?
Ela é natural, eu vejo sua dança leve
E sem significado
Tem poesia o suficiente nisso.

Caneta bailarina agora quer parar
Porque percebeu que presto atenção nela
E sente vergonha.
Eu a ordeno que continue, mas já não faz mais sentido
Porque assim não é natural
Não é mesmo natural…

Presta Atenção

Presta Atenção

Circo horroroso me mostra a rosa
Esvai a vida do homem que se dobra todo
Chá frio, sim por que não, amigo
Eu não vejo as suas pálpebras nessa penumbra
Da sala de aula

Pergunta se a vida pode ser digna respirando
Por aparelhos, pergunta de novo, ninguém responde
Pergunta se pode desligar os aparelhos mas não pode
Pergunta se a pétala da rosa cai agora, mas olha aqui
Tudo se move! Me mostra o que aprendeu na escola!
Desliga os aparelhos da fauna e da flora?
Eles não souberam responder nada até agora

“Agora me olha nos olhos, eu não te odeio por ser humano”
Ela diz um nome que não entendo e nem quero entender
Os remédios estão perdendo o efeito? Ela fala o conceito
E eu vejo seus lábios se mexendo, e acho bonitinho
O seu sotaque é carioca, e mais nada nada nada…
Não entendo é nada

Ela pergunta se desliga os aparelhos e eu não sei
responder…. Espera! Não desliga ainda não, olha na janela
O dia lá fora é de sol, é amarelo, cheio de flores amarelas
Não me pede palavra de volta, eu só vejo seus lábios se
movendo e agora eu quero ir lá pra fora
Mas que droga, não quero falar sobre a dignidade daqueles
Dos aparelhos e dessas coisas, dos direitos…

Eu te acho linda, mas olha, eu tremo agora
Eu sei que você é forte e tem ideologias mesmo
Mas minha cabeça tá vazia e eu não tenho resposta
Para você e para aqueles que dormem…

Me deixa em paz agora, se quiser desliga a merda do aparelho
Meu coração tá disparado e eu tremo, você vê?

Estou indo lá pra fora.

Espera

Espera

Está tudo calmo na noite amarela
Não durmo, nunca durmo
Apenas espero, espero que qualquer coisa
Que nunca acontece, aconteça.
O olfato procura por um cheiro
Mas só inalo vento frio

Quando a noite se despede de mim,
Finjo que não escuto
Mas as luzes dos postes se apagam e o sol aparece
Como uma autoridade que não vai participar da minha infantilidade
Como um funcionário que recebe ordens, e tem filhos para alimentar

Por isso, nem peço para esperar (porque algo acontecerá)
Então desisto de mais um dia e desmaio
Sonho o cheiro que queria,
Ou que Deveria, sentir
Acordo, e o dia é o mesmo nada que esmaga
Um bocado de horas
E o sol se põe, as luzes dos postes acendem-se
De novo

A cor amarela da noite é a esperança
Que dança com a cor azul do meu passado
E me prometem um presente,
E eu fico acordado até tarde, esperando…
Só o vento frio me faz companhia
Até que o sol nasça
E me desmaie com um tapa na cara.