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Se minha calda peluda bater na porta,
eu a deixo esperando do lado de fora,
até ela desistir, sem graça por ter vindo,
porque, como recém-ateísta de todas as coisas,
eu acho lindo criar um mundo verde, onde o que não é verde não passa.

Ontem num sonho verde, decidi pintar toda minha casa,
das paredes às molduras;
esquecer minhas quinas preferidas,
e pintar dos porta-retratos à fechadura das portas.

Quero a calma dos bichos,
e não mais pensar tanto na beleza das almas já mortas,
porque o mundo de infinitas almas mortas pode estar nas palmas
de nossas mãos, ou livre a flutuar, de ocidente a oriente.

Então, nas minhas janelas escancaradas,
eu vejo aquelas margaridas encantadas,
que aprendem aos poucos a língua dos grilos,
e conversam tranquilos a única certeza do presente.

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